Naquela janela...
As composições em verso, chamem-se poemas (para os formais...), ou versos encadeados, para os mais "rasteiros", podem por vezes contar estórias... Estórias de amor, as mais esperadas, pois não é o amor que nos escalda a vida? Mas também outras, assim como "O chapéu da Madame", uma caricatura duma aparição real, em pleno Chiado... Assim, a modos de cantigas de escárnio e maldizer, em modo "soft", modernizado, humorificado em linguagem usual... Esta estória, foi-me contada. Tem uns arranjos "à minha maneira", sem a teimosia do Sinatra... para dar apenas um pouquinho de "suspense". O final trágico-cómico, desmonta por inteiro, o julgamento precipitado. O que parece afinal não é... para gáudio de uns e vergonha de outros. Vejamo se consegui mostrar isso:
Naquela janela
Nesta rua tão simpática,
há uma imagem que fica,
naquela bonita janela
aquela figura tão bela.
Ninguém ficava indiferente,
elas, com ciume evidente,
eles, com olhos bem "feitos",
de propósitos "insuspeitos".
Só o ardina na barraca,
ficava mudo como uma estaca,
olhava de soslaio,
p'lo cantinho do olho,
como um catraio,
c'um rebuçado p'ro molho.
Os dias passavam felizes,
suaves como voos de perdizes,
sem vislumbre de caçador,
nem notícias de valor!
Os machos, m'ai'los machões,
faziam apostas aos montões,
era "amor", "amor" aos repelões,
até fazia doer os corações...
E, rua abaixo, rua acima,
as surtidas continuavam,
e ainda por cima,
todos se entusiasmavam.
............................................
Ah! a janela se fechou,
mas que foi que se passou?
Que tarde triste aquela,
sem a figurinha da janela!
Aquela "figura" adoeceu,
e, então tudo se esclareceu,
era um "travesti" cuidadoso,
muito bonito, muito meloso!
Ele se transformava,
dos cabelos à cintura,
naquela janela espreitava,
e assim montava a estrutura.
Foi um "bruá" danado,
elas de sorriso rasgado,
de olhar matreiro como adorno,
eles, com sentimento de... corno!
Mas a alegria retornou,
o engano, a todos ensinou,
a guluseima não é só côr,
é preciso provar o interior.
E o ardina continuou,
de olhar matreiro, gozão,
nesta estória participou
como o artista espertalhão.
P'ró espectaculo terminar,
basta a sua janela fechar,
pôr bem os pés no chão,
e guardar o seu coração!
8 Comments:
I enjoyed reading your blog. In fact, I've bookmarked yours!
cheating wife.
ahahahah... espectacular!!
Faz-me lembrar há uns anos atrás, quando ainda em Portugal, não era muito visível esse tipo de coisas.
Fomos um grupo de jovens a Vigo a uma festa. Um deles, mais velho e mais matreiro, "topoa" uma miúda, no dizer deles, um verdadeiro espanto.
Olhares para lá, olhares para cá, vai o jovem deixa o nosso grupo, a caminho da "menina" que o esperava sorridente, na esplanada sentada.
Bem... passado nem meia hora, vemo-lo correr rua fora, completamente esbafurido, corado que nem uma romã madura e, senta-se quase sem fala, na nossa mesa.
- Então que te aconteceu? - perguntamos todos, espantados com o aspecto dele...
- Era um gajo... era um gajo!!
- A miúda espantosa era um gajo!!
Nunca entrou em pormenores, mas sei que demorou algum tempo a superar o trauma e, nunca mais o vimos a "correr" atrás de uma qualquer miuda fabulosa que lhe aparecesse à frente! eheh
Um abraço ;)
bjs e até 2ª feira...
vou de férias...
e deixei Post novo de despedida...
rsssssssss
Olá Ricky
é sempre gostoso ler-te...Parabéns e continua
Bjs
Cris
Olá Ricky!!, só agora tive vagar para correr o blog desde o primeiro 'post' - cheguei esta semana da ilha verde - e vou contar-te uma koisa: não é que a tua prosa fala mais comigo?
beijo contente de ter por cá!!, IO.
Cumprimentos Henrique. Também prefiro a prosa, confesso. Voltarei sempre para o ler.
As janelas nao so' dao para o exterios, tem o potencial de serem abertas para invadir o dentro, contrariando tudo e todos.
e conseguiste muito bam!
está formidável, ricky.
gostava de ter a tua classe em comentar mas tu já me conheces e sabes como sou minimalista, rs
mas gostei muito.
abraço da leonoreta
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