A CAMINHADA

REFLEXÕES
Todos os anos por esta altura, Quaresma, sinto uma necessidade de me interiorizar, auscultar-me, saber como ando, porque tropeço tantas vezes, porque o mundo que me rodeia é assim, desumanizado, tendente à frieza absoluta. Escuto os noticiários e oiço o que não quero. Sinto, que muitos, tem pela guerra uma paixão desumana, cruel! Oiço os rebentamentos das bombas, dos suicidas fanáticos, oiço o martelar das metralhadoras. Fecho a TVe olho ao meu redor, recordo a conversa do café, a discussão sobre o aborto, se deve ser às tantas semanas ou às outras tantas. Como se a vida pudesse ser tirada, impunemente, antes e tivesse que vigorar depois. Uma capacidade de decisão, que ultrapassa o nascimento, esse fenómeno maravilhoso, que nos fascina a todos, e que os novos decisores ignoram pura e simples. Estou a ouvi-los no seu interior:" o nascimento é só quando eu disser!" É o legislador que decide! E, parte do povo, bate palmas acha que assim se democratizou a vida. Só vive quem ganha nos votos! Revejo as notícias desoladoras, que se referem às atrocidades cometidas nas crianças, tantas vezes por aqueles a quem elas teriam de confiar. Os culpados, às vezes, são objecto de julgamentos, tantas vezes, cheios de incertezas, com avanços e recuos, mas mais com recuos do que de justiça! Assisto, impotente, ao desenvolvimento duma forma de ser e estar, fria, distante, com quase ausência de amor. E na minha caminhada, tento reerguer-me imaginando que nem tudo é mau. Recordo, que existem milhões de pessoas, que de formas diversas se dão em amor ao próximo, tantas vezes com risco da própria vida! E, o mundo reage tão cruelmente ignorando-os. Não têm notícia no telejornal, ninguém comenta as sua acções. Quem se lembra de Madre Teresa de Calcutá? Mas do Código Da Vince se calhar se lembrarão. Quem se lembra de ter lido numa notícia pequenina, que um missionário tinha sido assassinado? Mas, todos se lembrarão, de um caso qualquer, dum padre acusado de qualquer coisa. E é sempre assim, o mundo vai ao encontro da ausência de valôres. Dizer-se hoje que se é Católico, Cristão, falar-se em Jesus, é como se costuma dizer, politicamente incorrecto. Pode-se ser, mas às escondidas. Porque será? Porque Jesus incomoda assim tanto? Eu sei, gratamente sei! Jesus deu a Sua vida por Amor ao homem, suportou as suas dôres, as sua angústias, os seus pecados. Mais ainda Deus Pai deu o seu único filho para nossa salvação! Era capaz de fazer o mesmo? A Paixão de Cristo, na sua essência é uma maravilhosa prova de amor, como Ele sempre ensinou. Que fazemos nós? Espalhamos frieza, indiferença, quando somos chamados a intervir, em dar uma ajuda que fazemos? Inventam-se desculpas, desvia-se a atenção e continuamos numa outra caminhada. Como dizia o meu pároco, estamos a meio, da Quaresma, tempo de reflexão, que queremos fazer da nossa vida? Já pensaram?
Deixo-vos um poema, em repetição, mas que se enquadra bem.
Foi por amor
Na tristeza Me encontraste,
pelo Teu sorriso me reergui,
pela Tua mão andei em frente,
o Teu calôr me sossegou,
senti a força do Teu carinho!
Na estabilidade do Teu colo,
me habituei a adormecer,
a Tua voz escutei interiormente,
e me embalava para o sono,
o sono da paz e do amor!
E acordava refeito,
feliz e sorridente.
A noite de contemplação,
me enchia de força,
um novo espírito me dominava,
sem mêdos, com coragem,
amor e tranquilidade!
Agora feliz,
olho em frente, fixamente,
e vejo-Te naquela cruz,
e a certeza mais se certifica:
tudo o que fizeste por nós,
foi por amor!!
E, propositadamente, a foto inicial representa Jesus Ressuscitado, já lá não está, e deverá estar no coração de todos os que O acolherem.