À beira-mar...
Aprendi a crescer e a viver, sempre condicionado, por praias maravilhosas duma beleza inigualável. Praias, que hoje já são procuradas, por grandes interesses turísticos mundiais. Em Moçambique, nasceram nos últimos tempos "resorts", em praias, que nada tinham de apoio turístico no meu tempo. Ou melhor, tinham o maior bem, que pode existir hoje no mundo: a ausência de poluição. São sítios, que estão virgens à degradação da presença do homem, em massa, com o seu poder de destruição, infelizmente conhecido. Depois, aquelas belezas naturais, não se pintam, não se constroiem, elas existem, para que possam ser admiradas e usufruidas, com o respeito que se tem, por uma delicada flôr... Passei a minha vida a conhecer praias, ainda hoje não descobertas, como a da Kalanga, Manhiça. Uma praia, que tem a característica única de ter vegetação, muito próximo da água. Coqueiros, árvores frondosas e corpulentas, árvores de frutos silvestres, figos bravos, massalas e outros. Com uma fauna composta por macacos de pequeno porte, aves de plumagens bem coloridas, pombos verdes, uma espécie de papagaios pequenos, pintassilgos, "rabos de junco" e tantos outros. E, há as conhecidas de todos. Numa delas, aqui na Europa, se passa uma acção, ficcionada ou não, que um dia me pediu licença para sair... É uma poesia sentida. Oxalá gostem:
À beira-mar
Aquele sol de inverno,
veio quebrar,
por momentos,
a chuva teimosa,
que molhava ossos.
A praia, lá fora,
estava linda,
a areia dourada,
o mar de prata,
e a brisa suave...
E fomos de mãos dadas,
pela praia fora,
dando voz ao silêncio.
E, libertámos a pressão,
dum outro silêncio,
criado na solidão,
dum tempo frio,
dum inverno imaginado,
no sentir da ausência,
da presença ignorada.
E, depois, aquele sol,
tão oportuno, tão amigo
nos conduziu,
pela praia dentro,
ao encontro do futuro...
Então, te amei e fui amado!
O amor marcou presença,
e soberan nos abraçou...
E aquele passeio à beira mar
escreveu assim, uma história,
bela e inesquecível!
Ricky